Você acha que a transição da reforma tributária está sendo como um teste de estresse da operação de cada escritório contábil? Muitos contadores pensam assim porque de 2026 a 2033, a carteira inteira vive em dois sistemas ao mesmo tempo. E em setembro de 2026 será a primeira prova de carga de verdade.
Com isso em mente, o seu escritório tem estrutura para o regime híbrido, e a que custo? É essa pergunta que vamos te ajudar a responder agora.
Por que o regime híbrido consome mais horas por cliente?
Para começar, nada foi substituído ainda. Na verdade, foi somado. A apuração de sempre continua, e sobre ela entraram os grupos de IBS/CBS nas notas, a alíquota-teste com compensação e as fases de validação que avançam em outubro e dezembro.
Além disso, a partir de 2027, teremos a CBS cheia com PIS/Cofins extintos. O cronograma da EC 132/2023 vai esticar isso até 2033, com ICMS e ISS caindo aos poucos entre 2029 e 2032.
Aparentemente cada etapa, isolada, é administrável. O problema é a soma de todas essas fases no mesmo time.
O que setembro de 2026 vai exigir da equipe?
A janela de opção pelo regime regular do IBS/CBS (1º a 30 de setembro, Resolução CGSN 186/2026) transforma cada cliente do Simples que vende B2B numa decisão com prazo: simulação, recomendação escrita e reunião, dentro de 30 dias corridos, em paralelo com o fechamento normal do mês.
Vamos te dar um exemplo agora, mas adapte a conta para a sua realidade. Num escritório de 110 clientes e honorário médio de R$ 1.400 (receita na casa de R$ 150 mil por mês), digamos que 40 clientes vendam B2B no Simples. Três horas de simulação e conversa por cliente são 120 horas concentradas num único mês: um analista sênior inteiro só para janela, sem contar o fechamento, as dúvidas avulsas e a fila do WhatsApp.
Viu só? Quem não precificar esse trabalho vai pagar pra trabalhar. E se não tiver sênior disponível, vai decidir por 40 clientes no dia 28.
As cinco perguntas do teste de estresse
☐ Quantas horas-sênior livres o escritório tem em setembro?
☐ O ERP fiscal já apura IBS/CBS em paralelo, ou a equipe vai carregar a transição em planilha até 2033?
☐ O contrato atual permite cobrar a consultoria da transição, ou tudo entra no honorário fixo de antes da reforma?
☐ Quem, além do titular, conduz uma reunião de decisão de regime com o cliente?
☐ Quantos clientes da carteira são B2B no Simples?
O que fazer com o resultado?
Se ficou tranquilo com todas as perguntas acima, parabéns! Seu escritório está à frente de boa parte do mercado, e setembro vai ser o momento de mostrar serviço e reposicionar o honorário.
Porém, se duas ou mais questões te apertaram, as saídas conhecidas são: repactuar honorários, reforçar a equipe ou tirar parte do operacional de dentro de casa.
Para te ajudar a se preparar, veja nosso artigo com um checklist de preparação que circula entre os clientes PME. Ele mostra o que seus clientes podem estar lendo e o nível de pergunta que vai chegar no seu escritório de contabilidade.
Perguntas frequentes
Quanto tempo a mais por cliente o regime híbrido consome?
Depende da carteira e da sua realidade. A conta mínima: horas de parametrização e revisão de cadastro por cliente emissor, mais a simulação da janela para cada B2B do Simples, mais o suporte de primeira semana a cada mudança de fase.
Dá para cobrar a simulação da janela à parte?
Na nossa leitura, sim, e este é o momento: consultoria com prazo, risco e valor de decisão claros pro cliente. Contrato de honorário fechado antes da reforma não previa 2026, e a repactuação é melhor recebida agora do que em outubro, com o serviço já prestado.
E se o escritório não der conta de todo mundo em setembro?
Triagem por impacto: primeiro os B2B do Simples com contrato relevante em jogo, depois os casos de fronteira, por último quem claramente não muda. Comunicar o critério para carteira inteira evita a sensação de fila aleatória.
Este conteúdo é informativo e não substitui parecer individualizado. Para conversar sobre o seu escritório, fale com a equipe da ContHub, da ContConnect.
